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Silêncios@Catarina.Castel-Branco
Exposição
Duas ideias fortes na origem desta série de desenhos e serigrafias: a primeira vem da universalidade dos traços fisionómicos no humano para a procura da singularidade de uma cara única; a segunda procura mostrar a violência desumana contra as mulheres.
A Catarina começou a pintar caras em acrílico, mas elas não lhe apareciam individuais, apenas conjuntos de formas: a pintura, diz ela, ressentia-se da fragilidade do desenho. Começando a desenhar, “voltou a olhar” e recuou até ao novo princípio. Fez experiências com papel, sobretudo usando colas diversas e papel japonês, deixou acontecer coisas diferentes, que depois integrava no processo.
Primeiro pensou fazer “retratos no jardim” e apareceram ramadas que genealogicamente se bifurcam noutras ramadas e fluem sempre. Quando viu as caras pintadas de branco, de amarelo, de cor-de-rosa, das mulheres e dos homens das tribos do rio Lomo na Etiópia, a distância entre o negro e o branco esbateu-se e a familiaridade, a sequência, tornou-se mais evidente.
O papel vegetal foi o meio perfeito para fabricar estas peles e estas carnações. A serigrafia o meio perfeito para falar do negativo, da sombra, do desvanecimento da cara – a nossa identidade mais vulnerável .
A Catarina diz que, ao desenhar, teve a nítida sensação de estar a fabricar a pele das suas criaturas e “houve caras que me assustaram de tanto olharem para mim”. De facto, o olhar a direito é o que mais nos convoca e intimida. Sobretudo como aqui, em alguns retratos, quando esse olhar parece vir a direito mas se desvia afinal para o seu próprio interior.
“Estas pessoas estão mesmo em silêncio” diz a Catarina “aquele silêncio fundo das pessoas que não podem fazer nada. Todas elas têm uma expressão de dignidade triste.”




















